Magic Web Design

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Data:
12/05/2001
Veículo:
Jornal Gazeta do Povo

Você já caiu no conto da internet?

Quem nunca foi vítima de um conto que atire a primeira pedra. Quase tão antigos quanto a própria Internet são os "contos do vigário" digitais, também chamados de correntes ou hoaxes. O hoax não tem outra intenção a não ser criar confusão, pregar uma peça ou difamar alguém. Já o spam, outra praga da Internet, normalmente tem objetivo comercial.

Um dos primeiros e mais antigos contos fala de um menino com uma doença terminal e conclama a todos que enviem cartões para que o garoto tenha esperança de vida e entre para o Livro dos Recordes. O que poucos sabem é que a história é apenas parcialmente verdadeira e o garoto de verdade está curado desde de 1991, antes mesmo da Internet chegar ao alcance do público brasileiro !

Outros exemplos de mensagens falsas: xampús e produtos cancerígenos, refrigerantes que causam cegueira e, talvez a mais famosa, a do vírus "Good Times". Outro tipo de mensagem muito comum conta a história de um fabricante de telefones celulares que vai distribuir aparelhos grátis para quem passar um determinado número de e-mails. Ou ainda que a Microsoft vai pagar em dinheiro para quem repassar o e-mail a uma quantidade determinada de pessoas. Como se houvesse uma maneira das empresas envolvidas contabilizarem estes números.

Há ainda histórias horripilantes, como aquela do jovem que, após conhecer uma garota atraente numa boate e tomar alguns drinks, acorda num quarto de hotel coberto de gelo e descobre que seus rins foram extraídos. A tal jovem faria parte de uma organização internacional de tráfico de órgãos e o suposto golpe estaria sendo aplicado em diversas cidades.

Muitas histórias espalhadas pelo mundo através de hoaxes são tão bem estruturadas e contadas que fica difícil saber se são verdades ou mentiras. Algumas são, de fato, desvios ou exageros sobre uma verdade ou rumores que surgem a partir de uma história verídica. Mas poucas são reais.

O internauta que não aguenta mais receber essas correntes dispõe de mecanismos para verificar se a mensagem que está recebendo é um hoax ou não.

Em primeiro lugar, se a mensagem diz em seu texto que não é um hoax, provavelmente é! Outra informação contida no texto que denota a intenção da mensagem é a recomendação "passar a mensagem para todos que você conhece".

Suspeite se a mensagem não foi escrita pelo remetente e, sim, redirecionada.

Em geral, num hoax, o autor tentar persuadir ao invés de informar. Por isso, faz uso intenso de exclamações e letras maiúsculas para alcançar seus objetivos.

Muitos hoaxes destacam que estão revelando informações inéditas.

Os hoaxes normalmente baseiam-se em supostas notícias legítimas, citando empresas, veículos de comunicação e pessoas que existem. Por isso, é importante verificar a veracidade das datas e publicações citadas antes de acreditar no conteúdo da mensagem.

Por fim, tome especial cuidado com rumores relativos à sua saúde. Antes de acreditar que você pode estar com uma doença por ter consumido determinado produto, consulte um médico de confiança.

O maior problema das correntes é que elas nunca param e podem ficar durante anos circulando na rede, já que poucos se dão ao trabalho de verificar a veracidade das histórias recebidas e simplesmente repassam a mensagem para frente. No caso do garoto de 1991, por exemplo, ele está há dez anos na rede mundial de computadores, mas continua com sete anos de idade nas mensagens.

Passar hoaxes e/ou correntes é quase como um spam: tira a atenção das pessoas, fazendo-as perder tempo e serem menos produtivas, além de causar uma péssima imagem para a empresa que redirecionou a mensagem se esta for enviada para alguém que entende um pouco mais sobre o assunto.

Entretanto, algumas histórias são de fato reais, como aquela dos ursos chineses que vivem em fazendas de extração de bíle na China. Neste caso, a história além de realmente verídica é dramática e existe até mesmo uma fundação cuidando do resgate destes animais, cujo website é http://www.animalsasia.org/.

Como diferenciar a realidade da farsa? Uma boa maneira de começar é pesquisando na própria Internet. O melhor e mais conhecido site que trata deste assunto é o Urban Legends and Folklore, que pode ser visitado em:

http://urbanlegends.about.com/science/urbanlegends/.

Havendo critério e bom senso na análise das mensagens, uma boa parte de situações embaraçosas podem ser evitadas e todos poderão usar a Internet para contribuir na multiplicação de mensagens verdadeiramente solidárias e importantes.

OBS: Antonio Borba, Diretor da Magic Web Design.

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