Magic Web Design

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Data:
07/05/2002
Veículo:
Jornal Gazeta Mercantil

Tecnologia tem que ser complicada?

Todos nós já sabemos que os computadores fazem parte da nossa vida e são imprescindíveis para qualquer empresa, por menor que seja. A internet também passa a fazer parte do cotidiano e a tecnologia incorpora-se ao nosso dia-a-dia. Mas, a maioria dos usuários dos recursos da informática ainda acha seu uso complicado, principalmente as gerações anteriores à década dos anos 70. Quase toda família ou empresa tem uma pessoa com mais de 40 anos que resiste ou resistiu ao uso da informática.

O principal problema para essas gerações é o uso do computador PC ou de equipamento similar. Tal fato é referendado por outros especialistas em informática, como os colunistas norte-americanos Bill Machrone e John C. Dvorak, entre outros. Todos acreditam que a informática é complicada, que os PCs não são amigáveis e que gerações antigas encontram extrema dificuldade para lidar com esses equipamentos. Alguns defendem que, para se renovar e vender mais, a indústria de PC deveria desacelerar o desenvolvimento de novas tecnologias, dedicando-se em soluções para tornar o computador mais amigável e fácil de usar. Com isso, teríamos uma verdadeira popularização da informática.

Não se pode exigir dos usuários domésticos conhecimentos profundos sobre compatibilidade de periféricos, portas paralelas, seriais, USB e fire-wire. Isto sem contar nos erros dos sistemas operacionais (leia-se Windows), travamentos de softwares e outros problemas não menos intrigantes. Quase faz-se necessário um curso de especialização permanente para dominar toda a tecnologia e inovação incessante.

O problema nem de longe acaba nos PCs. Quantos usuários de agendas eletrônicas, palmtops e computadores portáteis não desistiram do seu uso quando perderam todos os dados porque a bateria acabou? Muitos voltam para a velha e segura agenda de papel e nunca mais querem chegar perto destes equipamentos, traumatizados com a experiência.

Na verdade, a informática deve ser bem compreendida para que todos os seus benefícios possam ser usufruídos. Dispositivos portáteis e todos os que contêm dados importantes devem ser alvos de constantes backups (cópias reserva). Poucas pessoas aprendem a fazer backups, mesmo sabendo que estes equipamentos estão sujeitos a falhas. E, mesmo aqueles que sabem, muitas vezes esquecem. A tecnologia perfeita deveria fazer estas cópias sozinha, por conta própria, e recuperá-las automaticamente quando necessário.

Complicação similar aconteceu em outra área, das TVs e vídeo-cassetes. Os primeiros controles remotos tinham cabo e possuíam um ou dois botões. Quem acompanhou a revolução destes equipamentos até os controles sem fio, talvez tenha percebido que, conforme foram surgindo novas funções, a quantidade de botões foi aumentando assustadoramente. Alguns, além das funções principais, possuem funções secundárias e terciárias para cada botão do controle remoto, acionadas mediante o uso de teclas especiais, assim como as teclas "shift", "alt" e "ctrl" dos computadores.

O problema diminuiu quando os fabricantes perceberam que quase nenhum usuário sabia usar corretamente seus equipamentos e começaram a diminuir as funções dos controles, trabalhando melhor o design e ergonomia dos botões. Funções mais avançadas passaram a estar contidas dentro de menus interativos, que surgem na tela da TV quando acionados.

Mas o grande fracasso do vídeo-cassete, reconhecido mundialmente, é que pouquíssimas pessoas aprenderam a programá-lo para a gravação de programas. Sua grande promessa de liberdade fracassou. Com o surgimento das TVs por assinatura, o problema só piorou, pois o decodificador é mais um equipamento no meio do caminho, que também deve estar corretamente sintonizado de forma a permitir a gravação.

Assim, numa sala bem equipada, empilham-se controles remotos: da TV, do vídeo, do DVD, do aparelho de som, do receiver e do ar-condicionado. Acho que todos precisamos de um controle universal. Mas, pensando bem, é mais uma geringonça que teremos que ler o manual e aprender a mexer.

Na geração "X", os filhos e netos passam a ser os grandes consultores de tecnologia para os pais e avós, pois convivem desde pequenos neste ambiente. O pai chama o filho para assistir o filme, a mãe chama a filha para acessar a internet e assim vai. A tecnologia precisa ser descomplicada e os técnicos devem aperfeiçoar o lado humano desta revolução, para que o mundo não se torne ainda mais confuso.

OBS: Diretor da Magic Web Design e Chairman do Comitê de Tecnologia da Câmara Americana de Comércio.

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