A Internet móvel já está presente, de forma branda, na vida de muitos profissionais e executivos. Não necessariamente na forma de celulares Wap, que ainda são muito difíceis de se utilizar. Tampouco com conexões móveis em tempo real, que ainda são em pouco número e de alcance restrito.
Embora não existam números concretos, uma grande quantidade de usuários corporativos no Brasil utiliza os PDAs (Personal Digital Assistants), mais conhecidos como Palmtops ou Pocket PCs. Embora o Pocket PC já ultrapasse o Palm em número de unidades vendidas nos Estados Unidos, o Palm ainda continua líder de mercado em quantidade de usuários.
Através de qualquer Palm compatível, o usuário pode baixar notícias e informações de uma série de sites, a maior parte dos quais oferece conteúdo grátis através de programas como Hands (Nacional) e AvantGo (USA). O Hands oferece conteúdo de jornais como Folha de São Paulo e programações regionais de cinema em todo o Brasil. Já o AvantGo oferece jornais e revistas internacionais como: CNN, The Wall Street Journal, New York Times e outros. As notícias são baixadas, não através de conexões móveis, mas por meio do computador do usuário, quando é feita a sincronização com o portátil.
Então a Internet móvel está aí: notícias que são transferidas para serem lidas quando o usuário está longe de seu computador de mesa, em uma sala de espera ou no meio do trânsito. Este público está ávido por informações, mas elas nem sempre chegam na forma adequada. O conteúdo ainda parece ser um desafio para alguns meios de comunicação.
Tome-se como exemplo o caso da Folha de São Paulo. Quem sincronizou no último dia 31 de julho, às 18 horas, pôde ver as notícias da seção "Cotidiano" entre 15h55 e 17h44 somente. Têm-se a impressão de que o usuário não precisa saber das notícias que aconteceram pela manhã ou no começo da tarde, por exemplo. Esquece-se da utilidade do conteúdo noticioso móvel: manter informado o usuário que não teve tempo de assistir a um telejornal ou mesmo ler o jornal pela manhã. Dificilmente o leitor estará interessado em saber das notícias "em tempo real" por um dispositivo móvel, a não ser que possa ficar o dia todo navegando.
Outro exemplo de desinformação: ao falar da notícia do acidente com a modelo Fernanda Vogel, às 16h35, a Folha móvel não menciona o histórico do ocorrido, mas sim os últimos acontecimentos. O leitor que perdeu o início da história, não tem idéia do que aconteceu, e perde-se o objetivo da informação. Este tipo de situação transforma o desejo de informação pelo conteúdo móvel, no mínimo, em frustração para muitos usuários.
Um modelo de sucesso é o da CNN móvel, que faz um excelente trabalho de compilação de notícias para o leitor. As atualizações não são feitas por hora, mas sim numa base diária. O leitor sempre tem as principais notícias do dia na sua mão, não importa o horário que sincronize seu equipamento. Além disso, ao acompanhar a evolução de um fato, a CNN sempre faz uma retrospectiva do acontecimento, como se o leitor não soubesse de nada.
Este modelo de noticiário móvel é perfeito para informar o usuário que tem pouco tempo disponível. Como um dos melhores exemplos, pode-se citar o caso diplomático China x Estados Unidos, quando do acidente com o avião militar americano. Um mês após o ocorrido, ao ler uma notícia sobre o andamento das negociações entre os dois países na CNN móvel encontra-se, após a notícia, uma retrospectiva completa do caso, desde o momento zero do incidente. Este é um modelo claro de sucesso informativo na comunidade móvel.
Que isto sirva de alerta aos meios de comunicação e sites que pretendem se beneficiar da onda móvel que está chegando. Usuários estão aí, este é o momento de cometer erros e acertos. Mas ao invés de errar, melhor se basear em modelos comprovados de sucesso, como os diversos sites internacionais que estão aí há mais tempo. A roda não precisa ser reinventada.
OBS: Antonio Borba, Diretor da Magic Web Design.